Tudo o que os policiais deviam ser
A trilogia que inspirou Martin Scorsese para a criação de “The Departed”. Este é, sem qualquer margem para dúvidas, o mais elevado selo de qualidade e um dos mais fortes atractivos para a visualização desta trilogia. De resto, a obra de Scorsese condensa três filmes em um só produto. Apesar desta dita “junção” a fita resulta muito bem e é, até certo nível, brilhante. No entanto, será facilmente compreensível que a fita não detém a profundidade da trilogia original que dá pelo nome de “Mou Gaan Dou”. Para um cinéfilo ocidental talvez este nome seja um pouco estranho mas a verdade é que tal facto não passa de uma mera redundância sobretudo se avaliarmos esta obra proveniente de Hong Kong como um todo. Sucintamente, poderia dizer que o primeiro capítulo é absolutamente brilhante, o segundo é excelente e o terceiro é a total e completa desilusão. Após a leitura desta frase o leitor poderá pensar que existe um denegrir da qualidade ao longo da estrutura temporal. No entanto eu não o vejo assim e passo a enunciar as razões. “Infernal Affairs II” é uma prequela da fita original enquanto que “Infernal Affairs III” é uma sequela, também ele, do primeiro produto da saga. Mas analisando cada um dos filmes percebemos que a prequela, pela sua magnificência, pode ser considerado como o verdadeiro início da trama pelo que aconselho a todos que irão ser espectadores da trilogia pela primeira vez, começar pelo segundo capítulo e daí seguir para os restantes.
Analisando cada uma das fitas brevemente, e começando por ordem cronológica de estreia, “Infernal Affairs” é um dos mais conceituados filmes asiáticos e a as razões são perceptíveis. Foi o cerne de toda a obra de Scorsese e é uma das mais inteligentes histórias policiais de que há memória. As surpresas são imensas e a forma como elas se sucedem é totalmente imprevisível. Este facto provém de um argumento absolutamente soberbo escrito a duas mãos por Felix Chong e Siu Fai Mak. Os nomes são desconhecidos por uma grande parte das pessoas mas acreditem que estes senhores prestam um grande serviço enquanto argumentistas. A realização também foi processada a duas mãos, nomeadamente por Wai-keung Lau e Siu Fai Mak, e posso mesmo proferir que foi uma das mais belas que já tive oportunidade de visualizar. Oferece-nos planos fundamentalmente memoráveis que a par da maravilhosa fotografia, conjugam o mise en scène com um incrível sentido de estilo e, sobretudo, arte. As actuações são também elas prodigiosas. O principal destaque recai em Andy Lau enquanto infiltrado da tríade na polícia. Realiza um papel cativante, envolvente e, acima de tudo, muito verídico. Depois há Tony Leung que representa o polícia infiltrado na tríade. Também ele segue as pisadas que caracterizam a interpretação de Lau mostrando o quão bons podem ser os actores orientais.
A segunda obra, ou seja, a prequela, é, provavelmente, a mais bem conseguida prequela da história do cinema. Pelo menos, eu nunca vi uma que apresentasse uma qualidade superior e não me recordo de ter prestado contas a uma que, aparentemente, pudesse superar a dita. Como disse em cima, olhem para este produto como se fosse o primeiro filme porque realmente vale a pena. É quase como se “The Dark Knight” estreasse primeiro que “Batman Begins”. Teríamos um excelente primeiro produto e uma soberba sequela. Todos os atributos face ao que foi escrito em cima mantém-se. A única diferença, em termos de nota, debate-se com o facto de que a originalidade perdeu-se no tempo. Caso contrário, este seria outro clássico.
A terceira e última fita foi a total e completa desilusão. As interpretações e a realização mantém-se excelentes mas, desta feita, é o argumento, tão forte que foi nos últimos capítulos, que apresenta uma incrível falta de ideias e uma péssima exploração de um filão que tanto tinha para oferecer. Pouco ou nada acrescenta à história e as sucessivas analepses são tão confusas quanto mal concebidas recheadas de clichés e lugares comuns. Concluindo, ou muito me engano, ou pelo menos “Infernal Affairs” é superior a “The Departed” (as comparações são inevitáveis). No entanto, e para dissipar as dúvidas irei rever o dito e logo esclarecerei qualquer ponto pendente. Acaba por ser uma trilogia de visionamento obrigatório que peca pelo terceiro capítulo.
As Frases
"I'm a cop."
"What thousands must die, so that Caesar may become the great."
"Evil prevails. Only the good die young."
A Nota - Infernal Affairs







14 sábias opiniões:
Taí, não sabia que era uma trilogia. Na locadora que eu vejo filmes tem um deles, agora vou até averiguar qual era, que eu tenho muita vontade de ver e uma preguiça mto grande tb, rs.
PS: Inspirado naquele calendário a gente fez um, versão Brasil, depois se quiser dar uma olhada... abraços
Apenas vi o primeiro Infernal Affairs. Na minha opinião a versão do Scorsese não lhe fica nada atrás.
Já sigo o teu blog diariamente à bastante tempo, continua a fazer um bom trabalho
Caro Cinema is my life,
O Keyzer Soze’s Place convida o moderador deste blogue a participar na votação dos Óscares de Marketing Cinematográfico, iniciativa que nomeará o melhor em publicidade de Cinema no ano de 2008.
A votação pode ser efectuada em http://sozekeyser.blogspot.com/2008/12/scares-de-marketing-cinematogrfico.html.
Desde já, apresento o meu profundo agradecimento na tua disponibilidade para participar nesta iniciativa.
Cumprimentos cinéfilos!
Ainda não tive oportunidade de ver nenhum dos três, apenas a versão de Scorsese... que não posso dizer se é melhor ou pior pois não tenho como comparar né?
De resto já tive o pack dos 3 filmes na mão para comprar mas... acabou por ficar na prateleira :S
Tenho que perder o amor ao guito =)
P.S.: A ultima nota refere-se ao Internal Affairs III certo? ;)
Saudações
Cara da Locadora,
Tens que ver a trilogia. Vale mesmo a pena. A vontade e a preguiça são normais. Também me acontece a mim.
Vou ver com toda a certeza.
Abraço
João,
Sim, não posso dizer que fica muito atrás mas quanto a mim é ligeiramente superior. Mas como disse, vou revê-lo por forma a ser mais justo na avaliação.
Espero que continues a acompanhar.
Abraço
Sam,
Participarei logo que possa. Obrigado.
Abraço
Peter Gunn,
Exacto, sendo assim não dá mesmo para comparar mas aconselho a visualização.
A última nota refere-se à fita global. Ao terceiro filme d atrilogia dou apenas duas estrelas. Desiludiu-me grandemente. O primeiro leva cinco e o segundo quatro.
Abraço
O primeiro é de facto genial :) e, gostei mais desse final do que o do "Departed"...os outros dois são um pouco mais fracos mas, mesmo assim vêm-se muito bem!!
Ouvi dizer que também iam ser adaptados a Holywood, sabes de alguma coisa?
Beijinho
Anita,
Estamos de acordo :p
Por acaso não ouvi nada nesse sentido mas espero sinceramente que tal não se suceda.
Bj
MajistraL - é a palavra que me surge para descrever o preimeiro filme da trilogia (confesso que ainda não vi os outros).
Contudo não vou cair no erro de o comparar com "Daparted" de Scorsese. São filmes muito diferentes, de culturas diferentes, que não se podem comparar. O ponto comum é mesmo a ideia para o filme.
Abraço
Blog,
Eu percebo que assim o consideres mas creio que as comparações são inevitáveis, sobretudo aquando do fim da visualização da trilogia.
Abraço
Apenas vi o primeiro e adorei. Comparando com o departed é complicado, ambos se superam em diferentes pontos de vista.
Por exemplo no caso da personagem de Andy Lau achei-a muito melhor do que a escrita para Matt Damon.
Já Jach Nicholson abafa como vilão superior ao de Infernail Affairs.
Abraço
Tb não sabia que era uma trilogia, assisti apenas ao primeiro e achei ótimo. Mesmo sendo fã de Scorsese, o original de Andy Lau é superior.
Vou procurar as duas outras partes para ver.
Abraço
Loot,
Por um lado tens toda a razão. Por outro confesso que gostei tanto do chefe da tríade de Hong Kong quanto Jach Nicholson, valores de cada um à parte. O que interessa, e que é unânime, é que é um grande filme :p
Hugo,
Deverias fazer isso. Vale mesmo a pena, se não for mais por uma questão de ver o trabalho completo.
Abraço
Gostei acima de tudo da forma como o remake é explorado. No original temos um ambiente azul metálico e no departed um fogo quente.
Infernail Affairs tem muita coisa que eu gostei mais, mas a mão de Scorscese nota-se em departed e mutias vezes também faz a diferença.
Loot,
Sim, posso te dar razão. Mesmo assim, continuo a gostar mais da versão oriental. De qualquer das formas são filmes diferentes e há que perceber isso. Talvez até eu próprio seja um pouco injusto ao efectuar comparações.
Abraço
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