Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Trilogia Infernal Affairs


Tudo o que os policiais deviam ser


A trilogia que inspirou Martin Scorsese para a criação de “The Departed”. Este é, sem qualquer margem para dúvidas, o mais elevado selo de qualidade e um dos mais fortes atractivos para a visualização desta trilogia. De resto, a obra de Scorsese condensa três filmes em um só produto. Apesar desta dita “junção” a fita resulta muito bem e é, até certo nível, brilhante. No entanto, será facilmente compreensível que a fita não detém a profundidade da trilogia original que dá pelo nome de “Mou Gaan Dou”. Para um cinéfilo ocidental talvez este nome seja um pouco estranho mas a verdade é que tal facto não passa de uma mera redundância sobretudo se avaliarmos esta obra proveniente de Hong Kong como um todo. Sucintamente, poderia dizer que o primeiro capítulo é absolutamente brilhante, o segundo é excelente e o terceiro é a total e completa desilusão. Após a leitura desta frase o leitor poderá pensar que existe um denegrir da qualidade ao longo da estrutura temporal. No entanto eu não o vejo assim e passo a enunciar as razões. “Infernal Affairs II” é uma prequela da fita original enquanto que “Infernal Affairs III” é uma sequela, também ele, do primeiro produto da saga. Mas analisando cada um dos filmes percebemos que a prequela, pela sua magnificência, pode ser considerado como o verdadeiro início da trama pelo que aconselho a todos que irão ser espectadores da trilogia pela primeira vez, começar pelo segundo capítulo e daí seguir para os restantes.

Analisando cada uma das fitas brevemente, e começando por ordem cronológica de estreia, “Infernal Affairs” é um dos mais conceituados filmes asiáticos e a as razões são perceptíveis. Foi o cerne de toda a obra de Scorsese e é uma das mais inteligentes histórias policiais de que há memória. As surpresas são imensas e a forma como elas se sucedem é totalmente imprevisível. Este facto provém de um argumento absolutamente soberbo escrito a duas mãos por Felix Chong e Siu Fai Mak. Os nomes são desconhecidos por uma grande parte das pessoas mas acreditem que estes senhores prestam um grande serviço enquanto argumentistas. A realização também foi processada a duas mãos, nomeadamente por Wai-keung Lau e Siu Fai Mak, e posso mesmo proferir que foi uma das mais belas que já tive oportunidade de visualizar. Oferece-nos planos fundamentalmente memoráveis que a par da maravilhosa fotografia, conjugam o mise en scène com um incrível sentido de estilo e, sobretudo, arte. As actuações são também elas prodigiosas. O principal destaque recai em Andy Lau enquanto infiltrado da tríade na polícia. Realiza um papel cativante, envolvente e, acima de tudo, muito verídico. Depois há Tony Leung que representa o polícia infiltrado na tríade. Também ele segue as pisadas que caracterizam a interpretação de Lau mostrando o quão bons podem ser os actores orientais.

A segunda obra, ou seja, a prequela, é, provavelmente, a mais bem conseguida prequela da história do cinema. Pelo menos, eu nunca vi uma que apresentasse uma qualidade superior e não me recordo de ter prestado contas a uma que, aparentemente, pudesse superar a dita. Como disse em cima, olhem para este produto como se fosse o primeiro filme porque realmente vale a pena. É quase como se “The Dark Knight” estreasse primeiro que “Batman Begins”. Teríamos um excelente primeiro produto e uma soberba sequela. Todos os atributos face ao que foi escrito em cima mantém-se. A única diferença, em termos de nota, debate-se com o facto de que a originalidade perdeu-se no tempo. Caso contrário, este seria outro clássico.

A terceira e última fita foi a total e completa desilusão. As interpretações e a realização mantém-se excelentes mas, desta feita, é o argumento, tão forte que foi nos últimos capítulos, que apresenta uma incrível falta de ideias e uma péssima exploração de um filão que tanto tinha para oferecer. Pouco ou nada acrescenta à história e as sucessivas analepses são tão confusas quanto mal concebidas recheadas de clichés e lugares comuns. Concluindo, ou muito me engano, ou pelo menos “Infernal Affairs” é superior a “The Departed” (as comparações são inevitáveis). No entanto, e para dissipar as dúvidas irei rever o dito e logo esclarecerei qualquer ponto pendente. Acaba por ser uma trilogia de visionamento obrigatório que peca pelo terceiro capítulo.


As Frases

"I'm a cop."

"What thousands must die, so that Caesar may become the great."

"Evil prevails. Only the good die young."


A Nota - Infernal Affairs



A Nota - Infernal Affairs II



A Nota - Infernal Affairs II



Nota Global


14 sábias opiniões:

O Cara da Locadora disse...

Taí, não sabia que era uma trilogia. Na locadora que eu vejo filmes tem um deles, agora vou até averiguar qual era, que eu tenho muita vontade de ver e uma preguiça mto grande tb, rs.

PS: Inspirado naquele calendário a gente fez um, versão Brasil, depois se quiser dar uma olhada... abraços

João disse...

Apenas vi o primeiro Infernal Affairs. Na minha opinião a versão do Scorsese não lhe fica nada atrás.

Já sigo o teu blog diariamente à bastante tempo, continua a fazer um bom trabalho

Sam disse...

Caro Cinema is my life,

O Keyzer Soze’s Place convida o moderador deste blogue a participar na votação dos Óscares de Marketing Cinematográfico, iniciativa que nomeará o melhor em publicidade de Cinema no ano de 2008.

A votação pode ser efectuada em http://sozekeyser.blogspot.com/2008/12/scares-de-marketing-cinematogrfico.html.

Desde já, apresento o meu profundo agradecimento na tua disponibilidade para participar nesta iniciativa.

Cumprimentos cinéfilos!

Peter Gunn disse...

Ainda não tive oportunidade de ver nenhum dos três, apenas a versão de Scorsese... que não posso dizer se é melhor ou pior pois não tenho como comparar né?

De resto já tive o pack dos 3 filmes na mão para comprar mas... acabou por ficar na prateleira :S

Tenho que perder o amor ao guito =)

P.S.: A ultima nota refere-se ao Internal Affairs III certo? ;)

Saudações

Fifeco disse...

Cara da Locadora,

Tens que ver a trilogia. Vale mesmo a pena. A vontade e a preguiça são normais. Também me acontece a mim.

Vou ver com toda a certeza.

Abraço

João,

Sim, não posso dizer que fica muito atrás mas quanto a mim é ligeiramente superior. Mas como disse, vou revê-lo por forma a ser mais justo na avaliação.

Espero que continues a acompanhar.

Abraço

Sam,

Participarei logo que possa. Obrigado.

Abraço

Peter Gunn,

Exacto, sendo assim não dá mesmo para comparar mas aconselho a visualização.

A última nota refere-se à fita global. Ao terceiro filme d atrilogia dou apenas duas estrelas. Desiludiu-me grandemente. O primeiro leva cinco e o segundo quatro.

Abraço

Anita :) disse...

O primeiro é de facto genial :) e, gostei mais desse final do que o do "Departed"...os outros dois são um pouco mais fracos mas, mesmo assim vêm-se muito bem!!
Ouvi dizer que também iam ser adaptados a Holywood, sabes de alguma coisa?

Beijinho

Fifeco disse...

Anita,

Estamos de acordo :p

Por acaso não ouvi nada nesse sentido mas espero sinceramente que tal não se suceda.

Bj

João Ricardo "Blog da Pipoca" disse...

MajistraL - é a palavra que me surge para descrever o preimeiro filme da trilogia (confesso que ainda não vi os outros).
Contudo não vou cair no erro de o comparar com "Daparted" de Scorsese. São filmes muito diferentes, de culturas diferentes, que não se podem comparar. O ponto comum é mesmo a ideia para o filme.

Abraço

Fifeco disse...

Blog,

Eu percebo que assim o consideres mas creio que as comparações são inevitáveis, sobretudo aquando do fim da visualização da trilogia.

Abraço

looT disse...

Apenas vi o primeiro e adorei. Comparando com o departed é complicado, ambos se superam em diferentes pontos de vista.

Por exemplo no caso da personagem de Andy Lau achei-a muito melhor do que a escrita para Matt Damon.

Já Jach Nicholson abafa como vilão superior ao de Infernail Affairs.

Abraço

Hugo disse...

Tb não sabia que era uma trilogia, assisti apenas ao primeiro e achei ótimo. Mesmo sendo fã de Scorsese, o original de Andy Lau é superior.

Vou procurar as duas outras partes para ver.

Abraço

Fifeco disse...

Loot,

Por um lado tens toda a razão. Por outro confesso que gostei tanto do chefe da tríade de Hong Kong quanto Jach Nicholson, valores de cada um à parte. O que interessa, e que é unânime, é que é um grande filme :p

Hugo,

Deverias fazer isso. Vale mesmo a pena, se não for mais por uma questão de ver o trabalho completo.

Abraço

looT disse...

Gostei acima de tudo da forma como o remake é explorado. No original temos um ambiente azul metálico e no departed um fogo quente.

Infernail Affairs tem muita coisa que eu gostei mais, mas a mão de Scorscese nota-se em departed e mutias vezes também faz a diferença.

Fifeco disse...

Loot,

Sim, posso te dar razão. Mesmo assim, continuo a gostar mais da versão oriental. De qualquer das formas são filmes diferentes e há que perceber isso. Talvez até eu próprio seja um pouco injusto ao efectuar comparações.

Abraço