V Globos de Prata CN e o Cinema is my Life


Como se tem vindo a realizar nos últimos anos, o Cinema Notebook volta a eleger alguns blogues do espectro cinematográfico nacional com vista à eleição daquele que produziu o melhor trabalho ao longo do ano. O Cinema is my Life teve a extrema felicidade de ser um dos sete nomeados. Segue-se parte da transcrição da postagem efectuada pelo autor do blogue, Miguel Reis, e que esclarece os contornos em que os Globos de Prata se ambientam.


"Os Globos de Prata CN estão de volta para mais uma edição. Ao contrário dos últimos anos, este ano haverá uma única categoria relacionada com o galardoamento dos blogues nacionais de cinema e televisão. Assim, o globo para Melhor Novo Blogue é extinto e, como consequência disso, as nomeações para Melhor Blogue são alargadas a sete candidatos, invés dos cinco habituais.

O esquema mantém-se: cada visitante e leitor do Cinema Notebook tem direito a um e só um voto no seu blogue favorito, entre os nomeados. As nomeações tiverem em conta diversos factores, como o nível de actualização durante todo o ano de 2009, a qualidade da escrita, a complexidade, variedade e originalidade dos artigos e a relação entre o(s) seu(s) autor(es) e aqueles que o(s) visitam. Como sempre, as escolhas podem não ser consensuais ou sequer justas, apesar de completamente imparciais.

A votação já está disponível na barra lateral direita, e ficará aberta até às 23:59 do dia 17 de Dezembro. Os resultados durante a votação não estão abertos ao público, de modo a não influenciar o voto. Os vencedores serão anunciados durante o dia 18 de Dezembro."


Assim sendo, se os leitores consideram que o Cinema is my Life tem condições para ser eleito o melhor blogue do ano podem passar por aqui e votar. Caso contrário, sugiro que visitem o blogue do Miguel de qualquer forma e elejam o vosso favorito. Aproveito desde já para congratular os restantes nomeados que de facto merecem a distinção que lhes foi dada. Foram eles os seguintes: Ante-Cinema, Antestreia, Hotvnews, Tvdependente, Split Screen, Cinemax.

Continuação de uma excelente semana!

The Informant


Poucas são as minhas dúvidas face a Steven Soderbergh enquanto cineasta. Embora oscilando entre o mainstream e as produções independentes, dificilmente se poderá afirmar que o realizador filma de forma convencional. Nunca o fez, mesmo quando nos reportamos à burlesca acção da saga Oceans. Existem sempre os rasgos de originalidade que realmente o diferenciam do comum realizador. Mas esta é uma opção arriscada e as consequências nem sempre são positivas. O grande público tem, por vezes, dificuldades em apreciar o seu estilo, direi, único, resultando numa generalizada incompreensão dos seus produtos. Facilmente percebemos esta oscilação entre o bom e o vilão quando comparamos algumas das suas obras. A primeira parte de Che é de um arrojo técnico notável e é suportada por um realismo assustador, naquela que bem poderia ser uma justa homenagem a Michael Mann. Incompreensivelmente, o filme não recebeu a melhor recepção a nível mundial. Por outro lado, temos a saga referida supra que joga num campeonato totalmente antagónico. Apesar de conter elementos não acessíveis a qualquer realizador conseguiu aceitação do público precisamente por ser light na fórmula e apresentar actores de renome estratosférico. E claro, este último não é claramente o seu melhor cinema mas é através dele que o realizador ganha força para suportar os seus “verdadeiros” projectos, aqueles que verdadeiramente apelam ao senso de “autor”, àqueles que talvez sejam uma homenagem mais justa ao significado de cinema (se é que alguma vez alguém poderá atribuir uma definição concreta e coerente a tal esmagadora palavra).

The Informant! é um caso totalmente distinto daqueles apresentados previamente. É um filme, no mínimo, peculiar, e ajuda a comprovar o sentido de humor do realizador, do seu protagonista e como este não se encontra afiliado ao estereótipo comum de comicidade. Apesar das suas pretensões claramente mainstream, talvez fosse uma decisão mais perspicaz encarar o público-alvo desta película como um nicho. E quem vê o filme realmente percebe o porquê. Não é exactamente uma comédia nem pode ser considerado um filme de espionagem. E muito menos referiria-me a ele como algo mais do que uma sátira social dotada de claras influências provenientes do cinema dos irmãos Coen. Não que isso seja uma má coisa mas é inegável que falta uma estrutura mais forte que ligue o génio de Soderbergh e Damon aos restantes elementos cinematográficos, mesmo que estes lá estejam e funcionem perfeitamente enquanto entidades individuais. Não obstante tais considerações, é de realçar que estamos perante uma experiência da cinefilia totalmente distinta que quebra com todas as regras do comum e do banal. Certo é que se o espectador aceitar essas considerações de forma prévia, poderá apreciar devidamente duas horas de pura diversão.

Depois há Matt Damon, um pequeno mago que dá vida a uma personagem amorfa. Torna-a cativante, dinâmica e relevante. Além do mais, ajuda a provar a nem sempre creditada versatilidade do actor em causa. Individualmente falando deve ser destacada a performance de Scott Bakula, um peso-pesado da televisão que aqui desempenha um papel muito competente e interessante. Apesar do remanescente casting secundário cumprir o seu papel com um grau de satisfação elevado existe um outro actor que entra em cena e revela-se preponderante mesmo não sendo ele de carne e osso aos olhos do espectador. Falo do som, e mais propriamente da composição sonora de Marvin Hamlisch que se revela crucial no auxílio à criação da atmosfera que The Informant! busca obter. A sonoridade vai mesmo pautando as idiotices levadas a cabo pelo personagem de Damon e revela-se um grande auxílio na fortificação do humor. Estilo esse que, de resto, fica notório aquando do próprio cartaz, quer no que diz respeito à referência dos filmes mais comerciais de Soderbergh, quer fazendo lembrar Damon como um 40 year old virgin. Poderia ser comentado o facto de que o filme ainda busca uma crítica às ilícitas acções das grandes corporações mas não me parece que esse seja o primordial objectivo da fita, não tendo em consideração o tom caricatural que insiste em oferecer. Ainda assim este alerta face à organização de grandes companhias em cartéis revela-se importante para melhor perceber um sistema corporativo que nem sempre prova ser aquilo que promete e que ganha muito

O olhar cinematográfico é, ao mesmo tempo, objectivo e subjectivo e nem sempre é fácil entender qual estamos a privilegiar mas é certo que quem abraçar a parte mais abstracta da experiência poderá ganhar muito com as inside jokes e as variações humorísticas aqui presentes. Mas torna-se claro que este não é um filme que agradará facilmente os espectadoresm. Muito pelo contrário, antevejo um advento de reacções negativas que, infelizmente, impedirão outros de ver uma boa obra cinematográfica. Roger Ebert escreveu: “The Informant! is fascinating in the way it reveals two levels of events, not always visible to each other or to the audience”. Estou totalmente de acordo com a sua apreciação. Ainda assim subscrevo que nem sempre estas duas dimensões estão bem delineadas (mesmo que subentendidas) e, como tal, vão prejudicando o resultado final. Soderbergh oferece aqui um produto oscilante mas merecedor de uma visualização atenta na grande sala de projecção. Se não for por mais, que seja pela avaliação das distintas (e garanto que serão) reacções ao que está a ser projectado.


A Frase

Polar bears cover their noses before they pounce on a seal. How do polar bears know their noses are black? Did they look in the water one day, see their reflection and say, "Man, I'd be invisible if it wasn't for that thing.

Nota


Resquícios de uma viagem a Cannes














Choke


Os festivais de cinemas têm destas coisas. Permitem que o comum dos mortais tenha a possibilidade de visualizar uma fita bem antes de ela estrear no nosso país que, de resto, é pródigo no que toca a sucessivos adiamentos de estreias. O Fantasporto 2009 não foi um primor ao nível da selecção de filmes a serem mostrados mas certo é que apresentou alguns bons projectos e Choke foi um deles. Mais conhecido por ser uma das estrelas de The New Adventures of Old Christine a par da ex-Seinfeld Julie Louis Dreyfus, Clark Gregg decidiu adaptar a obra do incendiário escritor norte-americano Chuck Palahniuk. Sim, estamos na presença do mesmo autor que escreveu o maravilhoso pedaço de arte que é Fight Club. Contudo, não se pode fazer uma ponte entre as duas obras apesar da inevitabilidade das comparações. Se Fight Club é pautado pelo ritmo intenso e filosófico onde diversas citações dão-nos um verdadeiro soco no estômago à medida que Edward Norton e Brad Pitt oferecem interpretações para a história, Choke pega na sagacidade e mordacidade inerente à crítica social e aplica-a a um contexto mais ligeiro, enfim, mais cómico. O resultado? Uma comédia brilhante com um espírito totalmente indie que quase obriga a tornar o sexo em um assunto não tabu (assim entendido ainda hoje).

O próprio Gregg adaptou este obra ao grande ecrã sendo exclusivamente responsável pela escrita do argumento. Gregg já havia escrito What Lies Beneath (com Harrison Ford e Michelle Pfeiffer) mas é com este Choke que se estreia na cadeira de realizador. E a sua estreia pode ser proclamada como dúbia. Apesar de ser uma realização, no âmbito geral, competente, é bastante irregular e bastante experimental fazendo com que alguns momentos resultem muito bem e outros sejam “um tiro ao lado”. Compreende-se sendo, portanto, a sua estreia mas é de referir que o mesmo não acontece no argumento que é, em tudo, mais regular e coerente apresentando uma forte linha narrativa. No que às interpretações diz respeito, temos um Sam Rockwell em excelente forma oferecendo uma das suas melhores interpretações. O desespero sentido pela personagem torna-se muito humano mesmo sabendo da “estranheza” das situações apresentadas. E claro, Anjelica Houston é um complemento perfeito enquanto mãe de Rockwell. Choke vinca bem a sua posição através de uma extensa crítica à sociedade contemporânea e à religião enquanto instituição. E faz tudo através da comédia e do sexo, muito sexo. Que melhor forma de chamar a atenção? Mas, obviamente, tudo não passa de um artifício para um propósito maior. E esse é louvável, surpreendente e extremamente perspicaz. Como não podia deixar de ser em uma obra de Palahniuk, temos um excelente twist final que torna o término da obra ainda mais distinto. Resta recomendar uma mente aberta e desinibida para apreciar a fita na sua total extensão.

A Frase

"As I reclaimed my personal booth at the cafe of diminished expectations, all I had to do was ask myself one simple question: What would Jesus NOT do?"
Nota

There's nothing like a brit rom-com


"There I was, standing there in the church, and for the first time in my whole life I realised I totally and utterly loved one person. And it wasn't the person next to me in the veil. It's the person standing opposite me now... in the rain."

Quadro de Classificações: Novembro e Martin Scorsese


(clicar na imagem para aumentar)

Eles preferem os bons rapazes


E com a vitória de Goodfellas na votação levada a cabo pelo Cinema is my Life termina a iniciativa Novembro e Martin Scorsese. Desde já agradeço o convite para fazer parte deste trabalho. Foi com grande satisfação que vi e escrevi sobre Scorsese. Infelizmente, nem sempre consegui dedicar a justa atenção que o realizador merecia. Não obstante o meu descuido, deixo-vos, desde já, os links para todos os posts relativos a esta iniciativa, quer realizados pelo Cinema is my Life, quer pelo CINEROAD, Split Screen e Flavio's World.

Reitero ainda aquela que foi uma vitória clara de Goodfellas na votação. O épico de Scorsese que retrata o mundo do crime adquiriu 15 dos 37 votos apurados No que toca à segunda posição, os leitores do CIML deram azo a um empate técnico a três. The Departed, Taxi Driver e Raging Bull adquiriram todos 6 votos.

Espero que todos os leitores tenham apreciado a iniciativa. Não hesitem em fazer sugestões ou darem as vossas opiniões. Resta-me agradecer novamente aos blogues que fizeram parte da iniciativa e esperar que no futuro possamos colaborar mais vezes.


Quando o áudio supera o vídeo - Part II



Ray Parker Jr. - Ghostbusters

Isto sim, é um teaser trailer!

Assombroso

Infelizmente, não tenho tido a possibilidade de dedicar o tempo desejado à iniciativa Novembro e Martin Scorsese que se encontra praticamente no seu término. Não obstante a lamentação, devo referir que desde que fui convidado para participar na dita, o meu primeiro pensamento foi partilhar a seguinte sequência cinematográfica.



Muitas considerações podem ser obtidas a partir desta intrinsecamente estonteante sequência. A primeira e mais evidente reside na injustiça a que Martin Scorsese foi sujeito por parte da Academia no que toca ao galardão de Melhor Realizador. No ano de 1981 perdeu-o para Robert Redford pelo seu Ordinary People. Facto é que Raging Bull, e não querendo cair no erro de exacerbar a realidade, transparece uma das melhores realizações da história da sétima arte. A subtileza e a percepção artística de Scorsese é assaz notável. Cada segundo, cada fotograma, cada resquício de imagem respira cinema. Respira cinema enquanto a respeitável arte que sempre foi. E louva-se o esforço do realizador que confessou nunca ter sido um entusiasta pelo mundo do boxe, nem sequer ter grandes conhecimentos a seu respeito. Perde-se um conhecedor, ganha-se um cineasta. A brutalidade da cena é verdadeiramente assombrosa, bem como o poder que a dita emana. E que dizer daquelas visões subjectivas?

O segundo facto que imediatamente se deve realçar prende-se com o poder de Robert DeNiro enquanto intérprete. Se há actor que vive as suas personagens, esse alguém é DeNiro. O sacrifício por si efectuado ganha peso e importância no facto de esta ser uma actuação para a posteridade. Esta particular cena revela-se impressionante ao nível interpretativo. Denota-se a paixão e o suor pela autenticidade, pelo desejo de ir mais longe, pela frieza de um retrato complexo e pesado. Diga-se que houve justiça em 1981. Diga-se também que a história da Academia não poderia ser a mesma se esta não se tivesse feito. Diga-se ainda que são poucas as vezes em que um actor consegue arrepiar o espectador com as suas palavras, gestos e emoções. Diga-se pois que o conseguiu fazer comigo. Fê-lo quando vi o filme pela primeira vez. Continua a fazê-lo quando vejo um excerto de apenas quatro minutos. Sinto-me um privilegiado por ter podido assistir a tão maravilhoso pedaço de cinema.

E claro, seria impossível terminar as considerações sobre esta sequência sem referir a qualidade da edição de Telma Schoonmaker e a da fotografia de Michael Chapman. Torna-se curioso observar que a brutalidade desta sequência é tal e, no entanto, posso vê-la e revê-la vezes sem conta sem nunca querer afastar o olhar. Existe uma espécie de beleza quase homerica que me cativa e fascina. DeNiro culmina e dá mais importância metafórica à cena com o seu "You never got me down Ray, you never got me down". A mim deitou-me completamente abiaxo. KO absoluto e incomparável. Estão a sentir? É o peso. É o peso do cinema como já não se faz.


Porque é sexta e logo é para curtir...




PS: Como este é um espaço de cinema, não esqueci a sétima arte. Esta musica dos Gramophonedzie não esquece a sensualidade de uma certa personalidade.

Com tanta correria...


... até me esqueci que o Cinema is my Life já fez dois anos.



Aliás, já lá vão dezasseis dias desde a data efectiva da celebração da sua criação. Contudo, não quis deixar passar esta data em branco. Primeiramente, porque o Cinema is my Life tem muito significado na minha existência e depois porque me abriu um mar de possibilidades que hoje prezo imensamente. Seria uma injustiça não o realçar formal e publicamente. E porque acredito que esta deve ser uma celebração de vida através do cinema, deixo-vos uma das minhas sequências favoritas que conta com a participação da minha eterna musa inspiradora e que creio cumprir o intuito. Considerem-na como a música dos "Parabéns" com uma diferença: esta tem muito mais significado.



"You know what's wrong with you, Miss Whoever-you-are? You're chicken, you've got no guts. You're afraid to stick out your chin and say, "Okay, life's a fact, people do fall in love, people do belong to each other, because that's the only chance anybody's got for real happiness." You call yourself a free spirit, a "wild thing," and you're terrified somebody's gonna stick you in a cage. Well baby, you're already in that cage. You built it yourself. And it's not bounded in the west by Tulip, Texas, or in the east by Somali-land. It's wherever you go. Because no matter where you run, you just end up running into yourself."

E como não poderia deixar de ser, agradeço profundamente a todos os visitantes do Cinema is my Life, quer pelo apoio nos melhores momentos, quer pela compreensão nos piores. Estou certo que daqui a dez ou vinte anos ainda recordarei com nostalgia a experiência que esta excelente comunidade me proporcionou.

Um muito obrigado a todos.

Antevisão: Shutter Island


Antes de iniciar a antevisão referente ao mais recente projecto de Scorsese peço a visualização do trailer. Ou, se o leitor já teve a oportunidade de consultar o pedaço de fita editado com o intuito de estimular o espectador, peço uma revisão atenta do mesmo.



Foram várias as impressões que surgiram na minha mente após conferir com a devida ansiedade o trailer de Shutter Island. Contudo, houve uma que insistiu em subsistir na minha memória. E essa prende-se com outro génio cinematográfico que dá pelo nome de Stanley Kubrick. É verdade, o filme de Scorsese trouxe as recordações inerentes a The Shining. Ora, essa é uma consideração que me proporciona um elevado grau de expectativas. Não só a obra referida é muito perfeita a todos os níveis, como a considero a melhor e mais complexa obra de terror alguma vez realizada. É uma proclamação um tanto ou quanto frívola, é certa, mas se Shutter Island tiver a capacidade, nem que seja mínima, de emular o talento emando por The Shining, estamos perante um dos grandes filmes do ano vindouro e, quiçá, da história do terror cinematográfico. Todavia, será sábio explicar os meus motivos para relatar tais considerações. A julgar pelos dois minutos e trinta e um segundos de filme fornecidos pela Paramount no trailer, podemos contar com algumas características que poderão dar origem a alusões à obra de Kubrick. Além da intensidade demonstrada e do terror psicológico que deixa marca, existem resquícios de alucinações e devaneios mentais que ajudam à complexidade da obra.

O filme de Scorsese relata o drama do marshall norte-americano Teddy Daniels no longínquo ano de 1954. Este é chamado até à remota Shutter Island para investigar o desaparecimento de um dos 66 pacientes daquele estabelecimento que se pensa ainda estar na ilha. O dito alberga criminosos com distúrbios mentais, algo que dificulta a investigação de Daniels. À medida que vai fazendo progressos, o marshall recebe uma enigmática mensagem da suposta fugitiva que declara existir um sexagésimo sétimo passageiro na ilha de que ninguém tem conhecimento. Ou pelo menos, ninguém parece querer ter conhecimento. A partir daí, a investigação ganha contornos, no mínimo, assustadores. Certamente, Shutter Island não proporcionará um término de fita "em branco" ou aberto a sugestões como Kubrick fez com a sua obra-prima de 1980, mas se a explicação para o facto de faltar um paciente não for a mais óbvia (Exemplo: a personagem de Leonardo DiCaprio ser o próprio paciente), estão reunidas as condições e o potencial para que a Paramount ofereça às suas estimadas audiências um produto de elevadíssima qualidade.

Outro dos motivos que deixa antecipar um bom produto reside na sua origem. Shutter Island é baseado num romance dotado do mesmo nome escrito por Dennis Lehane. Observando o passado cinematográfico de Lehane, concluímos que as suas obras adaptadas ao grande ecrã resultaram em fitas notáveis. Falo do soberbo Mystic River e do surpreendente Gone Baby Gone. Ambos são sinónimos de excelentes mistérios, carregados de uma elevada carga dramática e representativos de realidades duras e pesadas. Ademais, Lehane ainda conta, no seu currículo, com três episódios da série televisiva The Wire, conhecida, precisamente, pelo seu brutal realismo.

Shutter Island fica, desde já marcado, pela nova colabração entre Scorsese e DiCaprio, a quarta para ser mais preciso. Não só esta é uma colaboração que tem dado frutos colectivamente, mas sobretudo individualmente. É notória a tremenda evolução de DiCaprio enquanto actor desde Gangs of New York. DiCaprio sempre foi mais, muito mais, do que uma mera cara bonita e, apesar de não receber o reconhecimento que devia, vai provando esse mesmo facto a cada novo filme. Certamente que este não será uma excepção. O restante cast conta com nomes como Ben Kingsley, Emily Mortimer, Mark Ruffalo, Michelle Williams, Max von Sydow, Jack Earl Haley ou Patricia Clarkson (grandes nomes portanto). No campo da edição, o projecto tem o nome de Telma Schoonmaker, a amiga de longa data de Scorsese que, de resto, já venceu três Oscar na dita categoria graças a esta parceria. Também a fotografia conta com uma personalidade na matéria. Falo de Robert Richardson que além de vastas colaborações com Scorsese, ainda é um regular de Quentin Tarantino e Oliver Stone.

Para os seguidores do excelente produto televisivo da HBO que é Entourage, transmito desde já uma pequena curiosidade. No episódio 11 da quinta temporada, Ari Gold refere, a dada altura, que Leonardo DiCaprio não pode participar no projecto discutido porque está em Boston a rodar um filme. Ora nem mais, é mesmo Shutter Island a que Ari se refere.

Os dados estão lançados. Resta esperar por Fevereiro próximo mas confirmar ou negligenciar as expectativas.

Take 20 e a presença do Godfather no nosso país!


O grande destaque da nova edição da Take cinema magazine vai para o realizador que nos anos 70 revolucionou o mundo do cinema com as duas primeiras partes da trilogia The Godfather. Francis Ford Coppola esteve recentemente no Estoril e em breve estreará o seu Tetro nas nossas salas de cinema. Depois de Youth Without Youth, o realizador volta a apostar em criações independentes que de alguma forma fogem ao mainstream e vão reflectindo os seus interesses. Mas há mais para ler na Take 20. Muito mais na verdade. Podem contar com entrevistas exclusivas a Fernando Lopes, Agnès Jaoui, Moran Atias, Filipe Melo, Manuel João Vieira, João Leitão e Nuno Galopim. E claro, não esqueçamos as habituais críticas, reportagens, análises ao home video entre outros. Tudo o que têm que fazer para entrar no mundo do melhor cinema é clicar aqui.
 

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